Surdez precoce muda como o cérebro distribui a visão periférica

Surdez precoce muda como o cérebro distribui a visão periférica

Surdez precoce muda como o cérebro distribui a visão periférica

Estudo indica que adultos surdos desde a infância usam mais áreas do cérebro para enxergar o que está nas laterais do campo de visão

A forma como o cérebro processa a visão pode mudar em pessoas com surdez profunda desde a infância. Um estudo recente indica que esse grupo tende a usar mais áreas do sistema visual para captar o que está nas laterais do campo de visão.

A pesquisa foi publicada em 4 de setembro nos Anais da Academia Nacional de Ciências e analisou como o cérebro organiza as informações visuais em pessoas surdas e ouvintes.

Os cientistas avaliaram 16 adultos com surdez profunda precoce e compararam os resultados com os de 16 pessoas com audição normal. Para isso, usaram exames de ressonância magnética que permitem mapear quais regiões do cérebro respondem a diferentes pontos do campo visual.

Os dados mostraram que, nas pessoas surdas, áreas iniciais do processamento visual já apresentam maior resposta a estímulos periféricos. Isso ocorre antes mesmo de a informação chegar ao córtex visual primário, região central no processamento da visão.

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Uma das estruturas envolvidas é o núcleo geniculado lateral, no tálamo, que funciona como uma etapa intermediária entre os olhos e o cérebro. Nessa região, a atividade já se mostra mais direcionada ao que acontece fora do centro da visão.

Os pesquisadores também analisaram o córtex visual primário, localizado na parte posterior do cérebro. O volume total dessa área foi semelhante entre os grupos, mas a forma como ele é utilizado apresentou diferenças.

Pessoas surdas mostraram maior representação da visão periférica, enquanto pessoas ouvintes concentraram mais recursos na visão central. Isso indica que o cérebro distribui suas funções de maneira diferente ao longo da vida, possivelmente como resposta à ausência de estímulos sonoros.

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