Apollo e Artemis demonstram que humanidade é capaz de chegar à Lua

Apollo e Artemis demonstram que humanidade é capaz de chegar à Lua

Apollo e Artemis demonstram que humanidade é capaz de chegar à Lua

De Apollo a Artemis: a história, a tecnologia e os próximos passos do programa que levará a humanidade de volta à Lua

*O artigo foi escrito pelo professor titular da UFV, Rodrigo Siqueira-Batista; pelo doutor em em Bioética e Ética Aplicada (PPGBIOS) da UFRJ; e pela coordenadora do CEMA,Thais Russomano, da Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, e publicado na plataforma The Conversation Brasil.

A atividade humana na Lua – Selene, para os gregos – constitui um dos capítulos mais significativos da história científica.

Entre 1968 e 1972, o programa Apollo, conduzido pela NASA, levou doze astronautas à superfície lunar. As missões Apollo não apenas demonstraram a capacidade tecnológica da Humanidade, mas também forneceram dados científicos cruciais sobre a geologia lunar, a formação do sistema Terra-Lua e a própria história do Sistema Solar.

Contudo, após 1972, a atividade humana na Lua foi interrompida, marcando o início de um hiato de mais de cinco décadas até o presente momento.

Esse intervalo prolongado refletiu mudanças geopolíticas, prioridades econômicas e desafios tecnológicos. Ainda assim, o fascínio por Selene permaneceu vivo, tanto como objeto científico quanto como plataforma estratégica para futuras missões interplanetárias.

No século XXI, com o avanço de novas tecnologias e a cooperação internacional, a NASA lançou o programa Artemis – já executadas as etapas I e II –, cujo objetivo é não apenas retornar à Lua, mas estabelecer uma presença humana sustentável.

Concebida como o alicerce do Programa Artemis, a missão Artemis I representou o primeiro grande teste integrado dos sistemas destinados a levar novamente seres humanos à Lua.

Lançada em 16 de novembro de 2022, a bordo do foguete Space Launch System (SLS), a missão não transportou tripulantes, mas carregou a cápsula Orion equipada com manequins instrumentados – “Manikin “Commander Moonikin Campos”, “Helga” e “Zohar” – dotados de sensores capazes de registrar as condições de radiação e aceleração a que astronautas reais estariam expostos no ambiente espacial.

Durante uma jornada de aproximadamente 25,5 dias, a Orion percorreu mais de 2,25 milhões de quilômetros, inserindo-se em uma órbita retrógrada ao redor da Lua e atingindo a distância máxima de 432.210 quilômetros da Terra – a maior já alcançada por uma nave projetada para o transporte humano –, antes de retornar e amerissar no Oceano Pacífico em 11 de dezembro de 2022.

Ao longo da missão, foram verificados e validados o escudo térmico da Orion, os sistemas de suporte à vida, a propulsão do Módulo de Serviço Europeu (ESM) desenvolvido pela Agência Espacial Europeia (ESA) e os sistemas de comunicação de longo alcance.

A fase crítica de reentrada – na qual a cápsula atingiu velocidades próximas de 40.000 km/h e temperaturas de até 2.760 °C na superfície do escudo térmico – foi executada com sucesso, confirmando a robustez do revestimento ablativo AVCOAT, um dos elementos mais críticos para a segurança das tripulações futuras.

Embora análises pós-missão tenham identificado erosões levemente acima do esperado, em algumas regiões do escudo, esses dados se revelaram preciosos para o aprimoramento do sistema antes do primeiro voo tripulado.

Do ponto de vista científico, Artemis I proporcionou um valioso conjunto de dados sobre o ambiente de radiação no espaço, essenciais para a proteção das futuras tripulações. Os dosímetros instalados nos manequins evidenciaram que os astronautas estarão sujeitos a doses de radiação significativamente maiores do que em missões na órbita terrestre baixa, reforçando a necessidade de estratégias de mitigação já incorporadas ao planejamento das missões seguintes.

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