
A recuperação após um acidente vascular cerebral (AVC) envolve muito mais do que medicamentos e fisioterapia. A alimentação também desempenha um papel importante nesse processo, ajudando o organismo a recuperar forças, preservar a massa muscular e reduzir o risco de novas complicações.
O AVC, também chamado de derrame cerebral, ocorre quando o fluxo de sangue para o cérebro é interrompido ou quando um vaso sanguíneo se rompe. Sem oxigênio e nutrientes suficientes, parte do tecido cerebral pode sofrer danos, provocando sequelas motoras, cognitivas ou de fala.
Depois da alta hospitalar, a nutrição passa a ser um dos pilares da recuperação. Segundo a nutricionista Viviane Macedo, coordenadora de nutrição do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro, manter uma alimentação equilibrada é essencial para apoiar a reabilitação.
Ela explica que dietas muito restritivas podem prejudicar o processo. “Caso a alimentação seja muito restritiva, a pessoa que sofreu o AVC pode perder massa magra e não terá força necessária para realizar as atividades. Um equilíbrio na alimentação ajuda a evitar essas perdas”, afirma.
Do ponto de vista neurológico, a alimentação também contribui para o funcionamento do cérebro e para o processo de recuperação das funções afetadas.
A neurologista Luciana Barbosa, coordenadora da Neurologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, explica que o organismo precisa de nutrientes adequados para favorecer a reabilitação.
Segundo ela, proteínas, carboidratos, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais ajudam tanto na manutenção da massa muscular quanto no processo de neuroplasticidade, quando o cérebro tenta reorganizar suas funções após a lesão.
“A alimentação balanceada ajuda a manter a massa muscular e a saúde geral do organismo. Isso contribui para que o paciente tenha mais força e disposição para realizar a reabilitação, melhorar o equilíbrio e recuperar movimentos”, explica.
Adaptações na alimentação
Em alguns casos, pacientes que sofreram AVC podem apresentar dificuldade para mastigar ou engolir, condição conhecida como disfagia.
Quando isso acontece, a alimentação precisa ser adaptada. Segundo a nutricionista, a avaliação de um fonoaudiólogo é essencial para definir a consistência adequada dos alimentos. Dependendo da situação, os alimentos podem precisar ser oferecidos em forma pastosa ou com líquidos engrossados para evitar riscos de engasgo.
Confira 5 dicas essenciais para uma boa recuperação pós AVC
1 – Controle da pressão arterial
Reduzir o consumo de sal é uma das medidas mais importantes. A recomendação é evitar alimentos ultraprocessados, como embutidos, enlatados, macarrão instantâneo e temperos industrializados. No preparo das refeições, o ideal é priorizar temperos naturais e especiarias.
2 – Boa hidratação
Manter uma ingestão adequada de água ajuda no funcionamento do organismo e na recuperação geral. De forma geral, recomenda-se cerca de 35 mililitros de água por quilo de peso por dia, quando não há contraindicações médicas. Também é importante reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
3 – Controle do consumo de açúcar
Doces, refrigerantes e produtos feitos com farinha branca devem ser consumidos com moderação, especialmente em pacientes com diabetes ou risco de alterações na glicose.
4 – Escolha de gorduras mais saudáveis
A recomendação é reduzir frituras e carnes gordurosas, dando preferência a carnes magras, peixes e frango sem pele. Alimentos ricos em gorduras boas, como azeite de oliva, também podem fazer parte da alimentação.
5 – Priorizar alimentos naturais
Frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas devem compor o cardápio diário. Feijão, lentilha, grão-de-bico, aveia, quinoa e arroz integral são exemplos de alimentos que ajudam na saúde cardiovascular.
Segundo Viviane, um padrão alimentar semelhante ao da dieta mediterrânea costuma ser o mais indicado para pessoas que passaram por um AVC.
“Esse tipo de alimentação ajuda a melhorar a saúde dos vasos sanguíneos, reduzir a inflamação e controlar fatores de risco como pressão alta, colesterol elevado e diabetes”, explica.
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