
Ursa Major naufragou em 2024; investigação de 2026 da CNN levanta suspeitas de transferência de tecnologia militar entre os 2 países
O cargueiro russo Ursa Major afundou no Mar Mediterrâneo depois de uma série de explosões registradas perto da costa da Espanha, em dezembro de 2024, segundo uma investigação da emissora americana CNN, divulgada na 3ª feira (12.mai.2026). O naufrágio se deu a cerca de 100 quilômetros da costa espanhola e continua cercado de mistério.
A investigação menciona suspeitas de sabotagem, movimentação militar russa na região e o interesse posterior dos Estados Unidos na área do acidente. Segundo a reportagem, a embarcação pode ter sido destinada à Coreia do Norte. A hipótese levanta suspeitas de transferência de tecnologia nuclear militar entre Moscou e Pyongyang.
Segundo o governo espanhol, o capitão do navio informou às autoridades que o Ursa Major transportava “componentes para 2 reatores nucleares semelhantes aos usados em submarinos” e que ele não tinha certeza se os equipamentos continham combustível nuclear.
Assista (1min25s):
🎥 #vídeo Navio russo afundado poderia levar reatores nucleares à Coreia do Norte
🚀 Investigação da “CNN” indica que o cargueiro russo Ursa Major afundou no Mediterrâneo depois de explosões perto da Espanha, em dezembro de 2024. A embarcação possivelmente transportava… pic.twitter.com/PLIiKHl1yS
— Poder360 (@Poder360) May 12, 2026
Viagem começou na Rússia
O Ursa Major, também chamado de Sparta 3, havia sido usado anteriormente em operações militares russas na Síria. O navio partiu do porto de Ust-Luga, no Golfo da Finlândia, em 11 de dezembro de 2024. O manifesto oficial da carga informava que o destino seria Vladivostok, no extremo leste da Rússia.
Segundo os documentos, a embarcação levava 2 “manhole covers” —grandes tampas metálicas industriais— 129 contêineres vazios e 2 guindastes da marca Liebherr. Porém, imagens analisadas pela CNN indicaram a possibilidade de contêineres sendo posicionados dentro do casco do navio, com espaço vazio reservado abaixo das estruturas identificadas como as tampas metálicas.

Em outubro de 2024, a empresa proprietária do navio, a estatal russa Oboronlogistics, informou que suas embarcações estavam autorizadas a transportar material nuclear.
O cargueiro passou pela costa francesa e foi monitorado pela marinha portuguesa enquanto cruzava águas de Portugal. Segundo autoridades portuguesas, o navio era escoltado por duas embarcações militares russas: o Ivan Gren e o Aleksandr Otrakovsky.
Explosão e naufrágio
Na manhã de 22 de dezembro, a Marinha portuguesa encerrou o acompanhamento do comboio. Cerca de 4 horas depois, já em águas espanholas, o Ursa Major reduziu drasticamente a velocidade. Equipes de resgate espanholas fizeram contato por rádio para verificar se havia algum problema, mas a tripulação respondeu que a situação estava sob controle.
Cerca de 24 horas depois, o navio desviou bruscamente de sua rota original e emitiu um pedido urgente de socorro às 11h53 UTC do dia 23 de dezembro. Segundo a investigação espanhola, 3 explosões atingiram o lado direito da embarcação, próximo à casa de máquinas.
Dois tripulantes morreram: o segundo mecânico Nikitin e o mecânico Yakovlev. Os corpos não foram encontrados.
Os 14 sobreviventes deixaram o navio em um bote salva-vidas e foram resgatados pela embarcação espanhola Salvamar Draco. Às 19h27, um navio militar espanhol chegou ao local para auxiliar na operação.
Segundo a investigação, pouco depois a embarcação militar russa Ivan Gren ordenou que outros barcos mantivessem distância mínima de duas milhas náuticas da área e solicitou o retorno imediato dos sobreviventes russos.
As autoridades espanholas insistiram em continuar as buscas e enviaram um helicóptero até o cargueiro. Imagens obtidas pela CNN mostram um socorrista tentando acessar a casa de máquinas, mas encontrando o local selado. O profissional também verificou os alojamentos e observou o conteúdo de alguns contêineres, onde havia lixo, redes de pesca e outros equipamentos.
De acordo com a reportagem, o Ursa Major parecia estável e não apresentava risco imediato de afundar. No entanto, às 21h50, o Ivan Gren disparou sinalizadores vermelhos sobre a área. Logo depois, 4 novas explosões foram registradas.
A Rede Sísmica Nacional da Espanha informou à CNN que detectou 4 assinaturas sísmicas no mesmo horário e região, semelhantes às produzidas por minas submarinas ou explosões de pedreiras.
Às 23h10, o Ursa Major foi oficialmente declarado afundado.
Carga nuclear
Os sobreviventes foram levados ao porto espanhol de Cartagena e interrogados pela polícia e pelas autoridades marítimas. Segundo o governo espanhol, o capitão demonstrou receio em falar sobre a carga do navio por medo de represálias.
O documento enviado pelo governo da Espanha a parlamentares da oposição afirma que o capitão passou a sofrer “pressão para esclarecer o que queria dizer com ‘manhole covers’”. Segundo o texto, ele “finalmente confessou que eram componentes de 2 reatores nucleares semelhantes aos usados por submarinos. Segundo seu testemunho, e sem poder confirmar isso, eles não continham combustível nuclear”.
Conforme a CNN o capitão, identificado como Igor Anisimov, acreditava que a embarcação seria desviada para o porto norte-coreano de Rason para entregar os reatores.
A investigação espanhola questiona a lógica da rota escolhida. Segundo os investigadores, seria improvável realizar uma longa viagem marítima entre 2 portos russos apenas para transportar guindastes, contêineres vazios e duas grandes tampas metálicas, especialmente considerando a extensa malha ferroviária da Rússia.
O relatório sugere ainda que os guindastes transportados poderiam servir para descarregar uma carga sensível ao chegar ao destino final.
Dias depois do naufrágio, a tripulação retornou à Rússia. A CNN afirmou ter entrado em contato com um homem identificado como Igor Anisimov, mas ele negou qualquer ligação com o Ursa Major e disse estar aposentado.
Rússia citou “ataque terrorista”
Quatro dias depois do acidente, a empresa responsável Oboronlogistics afirmou que o navio havia sido alvo de um “ataque terrorista direcionado”. Ela disse que havia um buraco de 50 centímetros por 50 centímetros no casco da embarcação, com o metal dobrado para dentro. O comunicado também dizia que “o convés do navio estava coberto de estilhaços”.
Uma semana depois, segundo a fonte ligada à investigação, outro navio russo voltou ao local do naufrágio. A embarcação Yantar, oficialmente classificada como navio de pesquisa, mas frequentemente acusada por países da Otan de atuar em espionagem marítima, permaneceu 5 dias sobre os destroços do Ursa Major.
Durante esse período, 4 novas explosões foram detectadas na área, possivelmente direcionadas aos restos do navio no fundo do mar.
Dados da empresa de inteligência marítima Kpler mostram que o Yantar esteve próximo da última posição conhecida do Ursa Major em janeiro de 2025.
Suspeita de envio à Coreia do Norte
A hipótese de que a carga seria destinada à Coreia do Norte ganhou força depois de Pyongyang divulgar, em dezembro de 2025, imagens do que chamou de seu 1º submarino nuclear.
As fotografias mostram o líder norte-coreano Kim Jong Un visitando a embarcação, mas especialistas afirmam que as imagens não comprovam a existência de um reator funcional.
À CNN, Mike Plunkett, analista da empresa de inteligência militar Janes, afirmou que é improvável que os reatores fossem transportados com combustível nuclear ativo. “Se esses reatores vieram de submarinos desativados, então eles serão radioativos, embora obviamente não tanto quanto estariam se estivessem totalmente carregados com combustível”, disse.
Segundo Plunkett, qualquer decisão da Rússia de compartilhar essa tecnologia com a Coreia do Norte não seria “tomada levianamente e é algo feito apenas entre aliados muito próximos”. Ele acrescentou que, se a informação for verdadeira, “é um grande movimento de Moscou” e classificou o possível cenário como “muito preocupante, potencialmente, especialmente se você for a Coreia do Sul”.
A investigação espanhola também aponta que a Coreia do Norte é hoje uma aliada estratégica da Rússia e lembra que Pyongyang já pediu publicamente acesso à expertise nuclear russa.
Segundo o relatório, esse interesse teria aumentado após o envio de ao menos 10 mil soldados norte-coreanos para apoiar a Rússia na guerra da Ucrânia, em outubro de 2024.
O documento afirma ainda que os reatores transportados provavelmente eram do modelo VM-4SG, usado em submarinos nucleares russos da classe Delta IV, embora apresente poucas provas concretas para sustentar a conclusão.
Espanha e EUA acompanharam o caso
A investigação espanhola afirma que os destroços estão a cerca de 2.500 metros de profundidade. Segundo o governo espanhol, recuperar a caixa-preta da embarcação “não é possível sem recursos técnicos significativos e riscos elevados”.
O parlamentar espanhol Juan Antonio Rojas Manrique questionou essa justificativa. Em entrevista à CNN, afirmou: “Quando alguém não fornece de forma clara e completa as informações que você pede, você ao menos suspeita que estejam escondendo alguma coisa… claro”.
Rojas também demonstrou dúvidas sobre o paradeiro da caixa-preta do navio. “Hoje em dia as caixas-pretas normalmente flutuam até a superfície com um localizador para que possam ser encontradas em qualquer acidente. Acho que alguém tem a caixa-preta. Mas não sabemos se é a Espanha ou se os próprios russos a localizaram”, disse.
O interesse dos Estados Unidos no caso também aumentou as suspeitas. Dados públicos de voo mostram que aviões militares americanos WC135-R sobrevoaram a área do naufrágio ao menos duas vezes após o acidente —em 28 de agosto de 2025 e em 6 de fevereiro de 2026.
Essas aeronaves são conhecidas por detectar resíduos nucleares na atmosfera.
O porta-voz da base aérea de Offutt, em Nebraska, Kris Pierce, afirmou à CNN que a função da aeronave geralmente “apoia a coleta e análise de detritos nucleares”. Ele acrescentou: “Não podemos fornecer detalhes adicionais sobre rotas específicas de voo, descobertas das missões ou coordenação com parceiros”.
Até o momento, não há indícios públicos de contaminação radioativa na costa espanhola.
Outro ponto investigado é a origem do dano inicial no casco do navio. Segundo o capitão, ele não ouviu impacto nem explosão quando o Ursa Major reduziu subitamente a velocidade em 22 de dezembro.
Segundo a fonte ligada à investigação e ouvida pela CNN, esse tipo de torpedo poderia perfurar o casco sem necessariamente produzir uma grande explosão, o que explicaria a desaceleração silenciosa do navio antes das explosões finais.
O Pentágono se recusou a comentar o caso. Os governos da Rússia, Espanha e Reino Unido também não responderam aos pedidos de posicionamento feitos pela CNN.
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